Gustavo era um jovem de 16 anos que vivia em Porto Alegre. Amava cidades grandes, principalmente a que morava. Seu avô, chamado Humberto, morava em uma cidade no interior do Rio Grande do Sul e visitava seu neto sempre que possível. Como já era velho e as viagens estavam ficando cada vez mais cansativas, Gustavo teria que visitá-lo.
Mesmo não gostando da ideia, Gustavo foi sozinho até a cidade do avô. Nunca esteve lá e não estava muito animado para passar o final de semana longe de sua agitada cidade. Após três horas de viagem, chegou à casa de Humberto, que o recebera com grande alegria.
A casa era antiga, assim como todas da cidade. Gustavo já sentia falta de Porto Alegre e estava com a cara fechada desde que chegara. Vendo a insatisfação do neto, Humberto disse:
– Meu chapa, sei que não é bacana pra você estar aqui e sei que você está louco para dar no pé, mas me lembrei de uma história legal à beça para lhe contar!
”O que é ‘dar no pé’?”, pensou Gustavo, mas ignorou a dúvida e pediu para o avô continuar, pois a curiosidade era grande.
– Há muito tempo, eu morava em uma cidade grande, como você. Era um barato! Tinha uma patota boa pinta! Amava aquela vida, mas um dia conheci um broto e fiquei gamado. O único problema é que ela morava aqui, no interior. Não tive outra escolha a não ser me mudar. Foi fogo largar minha cidade para viver aqui. Fiquei um tanto borocoxô. Sacou? Mas não podia deixar o amor da minha vida. Namoramos e nosso casamento foi um estouro! Tivemos três filhos e um deles é seu pai. Aquele broto com quem me casei era sua avó e, depois de um tempo, foi fichinha morar aqui.
Gustavo não entendeu a história, pois, para ele, ”fichinha” era uma ficha pequena, ”barato” era algo com o preço baixo e ”estouro” era uma explosão. Além de não saber o que era ”patota” e ”borocoxô”.
Seu avô explicou o significado de cada expressão usada em sua época e contou diversas outras histórias para Gustavo. No final, o que era para ser um final de semana entediante, virou dois dias de muitas histórias e aprendizado.
Pingback: Expressão Digital - Fundação Liberato - expressaodigital@liberato.com.br | VARIAÇÃO LINGUÍSTICA