Raízes dos pampas

Liciene de Conto
Marina E. Borsatto
Natália Vogt Kich
Vanessa dos Reis

Narrativas elaboradas pelos alunos da disciplina de Língua Portuguesa, das turmas 1311 e 1324,do Curso de Química,
da Fundação Liberato,com o conteúdo Pré-Modernista e selecionadas pela professora Elíria Maria Poersch.

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Acordei com o canto do galo e, num frio de renguear cusco, fui-me para as coxilhas. Troteei pelos campos e soltei os bichos, enquanto minha velha fazia o bom e velho mate. Agora, sentado na varanda, lembro que meu piá está para chegar da capital.

Mas bah, tchê! Sabe, aqueles guris que não gostam de pôr a mão na terra? Ah, eu tive a desgraça de nascer um desses aqui em casa. E aquele diabedo decidiu seguir seus prumos longe daqui. Logo eu, que imaginava trotear com ele pelos pampas, montado no zaino e acompanhado do cusco.

Ao ver que o sol estava a pino, aposentei o mate e mandei a mulher para o fogão, preparar o carreteiro de charque, pra aquele guri recordar as raízes dos pampas, quando chega o dito cujo todo engomado.

– É assim que os piás voltam da capital? Parece uma lombriga de tão comprido e se virar de lado nem te vejo mais! Mas que barbaridade, tchê!

– Deixa que eu vou engrossar o caldo que tu tá passando fome! – me surpreende a veia, gritando nos meus ouvidos.

Depois de encher o bucho, deitado nos pelegos sob a sombra das araucárias, decidi: desta vez, esse guri de merda não me escapa. Vou arranjar uma prenda bem gaudéria para colocar ele nos eixos. Mas, bah! Não interessa se ele foi pra aqueles lados da capital, nascido filho da terra, nunca o deixará de ser! Por mais que ele não enxergue agora, de nada adiantará lutar contra algo que está na natureza de um gaúcho, pois este sentimento é mais forte que ele!

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