Da Liberato para a Suíça: a pesquisa abrindo portas para o mundo

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Dexter Pires Seider
Egresso do Curso Técnico de Química
Fundação Liberato

Desde o meu primeiro ano na Fundação Liberato, eu ouvi histórias sobre pessoas que fizeram pesquisas e tiveram a oportunidade de viajar o mundo, conhecer novas culturas e ver novas nações. O que o eu de 2018 sequer esperava era que, cinco anos depois, ele seria também parte desse grupo que ele tanto admirava.

Eu consigo ainda lembrar do choque quando um dos últimos prêmios das Mostratec de 2022 foi anunciado. Eu já estava satisfeito em ter conseguido o quarto lugar de tantos trabalhos, mas ao ouvir o nome da minha pesquisa como ganhadora, meu coração falhou uma batida. Corri para o palco e me agarrei àquela carta que tinha as seguintes palavras escritas: “Parabéns, você foi credenciado para participar do Fórum Internacional de Talentos da Suíça!”. Na hora, eu não fazia a mínima ideia do que era aquele evento, mas também não me importava, eu estava tão feliz que, se fosse para viajar no dia seguinte, eu iria — mesmo sem passaporte!

Algumas semanas se passaram, e eu recebi um e-mail completamente em inglês de um remetente que nunca havia visto antes, era da organização do evento. Além do card com todas as informações de que iríamos precisar, havia uma explicação daquilo que estaríamos fazendo por uma semana em Lausanne, cidade da Suíça francesa: junto de mais cinco jovens de outras nações do mundo, participaríamos de reuniões, workshops e palestras para encontrar respostas para o problema da nossa economia de consumo e descarte em massa. Se descrevendo agora parece algo intimidador, que dirá quando descobri que seria o primeiro latino-americano de todos os tempos a participar do evento!

Entretanto, tenho a maior felicidade de dizer que esse medo inicial que tive caiu por terra quando conheci meu grupo de trabalho. Orientados por Mégane Schafhirt, cofundadora da ZipBack — startup que produz embalagens ecológicas retornáveis —, Olívia, Michela, David, Luca, Christina e eu passamos horas discutindo como poderíamos melhorar a ideia dela e empregá-la no mundo todo.

Entre os mil e um post-its colados em cada uma das paredes da nossa sala, ter passado todos esses dias com o meu grupo foi totalmente transformador. Todo o dia eu pensava: “Que ideias vão sair da cabeça de uma suíça-alemã que gosta de microbiologia, uma suíça-italiana cursando medicina, um biólogo alemão que ama economia, um belga astrofísico, uma eslovena analista e um químico brasileiro?”. Fora a animação de conhecer outro químico, turco dessa vez, e tantas outras pessoas de vários lugares ao redor do mundo inteiro!

Enfim, o último dia veio com um sabor agridoce. Amargo por toda essa vivência ter chegado a um fim, mas doce porque tive a oportunidade de fazer conexões com tantas pessoas incríveis que eu nunca havia sonhado que existiam. Depois dessa viagem, eu senti que realmente existe um mundo inteiro para além daquilo que eu já tinha visto. Mas mais importante, que esse mundo está esperando para que eu o descubra, experimente, explore, da mesma forma que sei que também está esperando por você, jovem cientista que pode estar lendo esse relato.

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