O Ócio Criativo x Tempos Modernos

O mundo transforma-se constantemente e em uma velocidade í­mpar. Mudam os conceitos, as atitudes e as relações profissionais e pessoais. Ao longo dos tempos, fomos passando de uma sociedade artesanal e agrí­cola para uma sociedade industrial em que as máquinas substituí­ram a mão de obra e muitos operários foram marginalizados.

Hoje, segundo as novas teorias, já estarí­amos vivenciando a chamada sociedade pós-industrial, com as marcas da globalização, do uso das ferramentas da informática e uma concepção das relações de trabalho em que o homem executaria atividades mais intelectualizadas.

Foi pensando justamente nessas relações de trabalho e nos novos conceitos que me questionei a respeito do cenário em que estariam inseridos nossos alunos que encerram a 4ª série (série final) para ingressar no mercado de trabalho, primeiramente, como estagiários e, depois, como profissionais na área escolhida.

Por isso, lancei uma proposta de trabalho, realizada no segundo semestre deste ano de 2011, na disciplina de Comunicação e Expressão das quartas séries do curso Eletrônica da Fundação Liberato, especificamente, à turma 4411.

Etapas do trabalho:

Primeiro momento: assistimos ao filme “Tempos Modernos” (EUA, 1936), com direção, produção, roteiro, música original e atuação de Charles Chaplin, para análise, debate e posterior produção de uma resenha crí­tica;

Segundo momento: lemos o livro “O Ócio Criativo”, do sociólogo italiano, Domenico de Masi, para a realização de um seminário com a participação de todos os alunos da turma, da supervisora do Curso, professora Mirela Stoll, e dos colegas Leo Weber e Alcindo Martins, ambos professores da turma, além da minha própria participação, fazendo a introdução das ideias inovadoras, veiculadas por Domenico de Masi, que nos desafia para a educação do tempo livre, transformando-o em ócio criativo;

Terceiro momento: oportunizamos o debate entre todos os participantes;

Quarto momento: os alunos produziram um texto em que deveriam evidenciar o diálogo existente entre as duas obras, isto é, deveriam evidenciar o fenômeno da intertextualidade.

Nos debates, ficou latente a percepção desse fenômeno e a maneira como cada um dos autores tratou a questão das relações no mundo do trabalho.

Os dois textos, aqui selecionados, servem para mostrar que nossos alunos estão preparados para ler o mundo contemporâneo e têm a plena dimensão das interconexões que podem ser estabelecidas entre a sala de aula e o processo de amadurecimento da própria vida.

Carmem Maria Bica Beltrame Professora da Fundação Liberato

Carmem Maria Bica Beltrame
Professora da Fundação Liberato

 

Texto 1

Das mudanças no trabalho e suas consequências

O trabalho é um tema de extrema relevância para a humanidade. Modificações na natureza do trabalho, quaisquer que sejam, resultam diretamente em modificações de comportamento nos seres humanos. Isso é evidenciado pelo contraste cultural que existe entre a sociedade industrial, caricaturada no filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, e a sociedade pós-industrial, analisada pelo sociólogo italiano Domenico De Masi, no livro “O Ócio Criativo”.

No filme de Charles Chaplin, são abordados os valores que eram, na época, considerados importantes por todos. O trabalho era maquinal, pesado e pouco intelectualmente desafiador, e a sociedade prezava o consumismo pelo consumismo, todos tinham no geral os mesmos modelos de vida perfeita, o american way of life. O personagem Carlitos (Charles Chaplin), vive dramaticamente isso, sonhando, desempregado, com uma vida que siga esse padrão. O trabalho em si não lhe trazia nenhum prazer, era apenas um mal necessário para atingir seus objetivos.

Já no livro de Domenico De Masi, mostra-se como a evolução tecnológica, ao livrar o homem de trabalhos desinteressantes e aumentar-lhe o tempo livre, consequentemente, mudou-lhe o ideal de vida. Agora já não se sonha apenas com o carro do ano ou a roupa da moda, não se quer mais ser como todo mundo, como acontecia na sociedade de Chaplin. As pessoas, cada vez mais, querem criar sua própria moda, encontrar seu próprio way of life. O trabalho, agora, não é mais um meio para atingir outros objetivos: ele pode trazer prazer para o trabalhador por si próprio.

Seja na sociedade industrial, seja na pós-industrial, o que se vê claramente é que o ser humano é uma entidade integral, ou seja, ao mudar-se uma parte de sua constituição também muda-se o todo. As mudanças que ocorreram na forma de trabalhar entre um tempo e outro se refletiram na forma de pensar e de consumir das pessoas. O que nos resta é entender essas mudanças, agir de acordo e esperar, ansiosamente, pela próxima.

Marcus Vinicius da Silva Aluno da Fundação Liberato

Marcus Vinicius da Silva
Aluno da Fundação Liberato

 

 

Texto 2

TEMPOS OCIOSOS

A sociedade vem se modificando constantemente ao longo da história devido à incorporação da tecnologia ao cotidiano. As inovações que o homem produz acabam por modificar a vida dele próprio de tal forma que é possível ter um certo controle sobre o futuro. A teoria apresentada na obra “O Ócio Criativo”, do sociólogo italiano, Domenico de Masi, traz o conceito da produção de ideias e equilíbrio entre estudo, lazer e trabalho, algo que, na época representada na obra “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, era praticamente impossibilitado pela robotização dos operários em busca do lucro e da redução de tempos inúteis.

Os trabalhadores “robotizados” realizavam atividades mecânicas, na maioria das vezes, exatamente iguais durante todo o expediente e, portanto, não necessitavam pensar para cumprir seu trabalho. Algumas atividades, muitos anos após a situação vivenciada na produção de Chaplin, ainda possuem características que colocam o indivíduo para operar como se fosse uma máquina. O pouco desenvolvimento intelectual deixa as pessoas restritas a desempenhar aquela ocupação por um longo período de tempo, já que não possuem especialização para desempenhar algo diferente do que costumavam fazer.

O conceito de equilibrar estudo, lazer e trabalho, apresentado por Domenico, possibilita que a pessoa possa ter boa qualidade de vida, uma vez que procura não se focar somente no trabalho, mas, sim, ter tempo para a família e se divertir. Através desse equilíbrio, o indivíduo pode render mais intelectualmente, o que favorece a produção de ideias e caracteriza o ambiente do ócio criativo. As atividades mecânicas repetitivas deveriam somente ser realizadas por máquinas, pois, quem sabe assim, o ser humano teria mais tempo para exercitar o intelecto e progredir para uma sociedade que não se preocupe somente em gerar lucro e, sim, com cada um de seus membros.

Douglas Felipe Johan Aluno da Fundação Liberato

Douglas Felipe Johan
Aluno da Fundação Liberato

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